Operações ocorrem após anúncio de que Washington mobilizou 8,5 mil militares em solo europeu, algo que deixou Moscou 'extremamente pre...
Operações ocorrem após anúncio de que Washington mobilizou 8,5 mil militares em solo europeu, algo que deixou Moscou 'extremamente preocupada'; países consideram opções para corte de gás

MOSCOU E WASHINGTON — A Rússia deu início nesta terça-feira a uma nova série de exercícios militares em áreas próximas à fronteira com a Ucrânia e na Península da Crimeia, anexada em 2014, em meio às tensões com o Ocidente envolvendo uma ameaça de invasão do país vizinho. Ao mesmo tempo, nações como os EUA reforçaram o envio de equipamentos militares a Kiev, e tentam achar meios para manter o fornecimento de gás à Europa se um conflito no Leste do continente interromper o fluxo do gás russo.
Segundo autoridades militares russas, as manobras acontecem nas regiões de Volgogrado, Rostov e Krasnodar, no Sul russo, além da Crimeia, e envolvem cerca de seis mil militares, 60 aeronaves e tanques — as manobras ocorrem semanas depois de exercícios similares em regiões de fronteira e na própria Crimeia, onde 10 mil militares participaram de manobras, em dezembro.
Em outra frente, a Rússia participa de manobras preliminares na Bielorrússia, com o uso do sistema de defesa aérea S-400 — no mês que vem, os dois países realizarão exercícios voltados à defesa das fronteiras com a Otan e com a própria Ucrânia.
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As manobras ocorrem no momento em que a Otan, principal aliança militar do Ocidente, anunciou medidas para dissuadir a Rússia de uma invasão Os EUA puseram 8,5 mil soldados seus em prontidão , enquanto vários países da aliança enviaram ou prometeram enviar aeronaves e navios para seu flanco oriental. Movimentos que, para o Kremlin, são “muito preocupantes”, como apontou o secretário de Imprensa, Dmitry Peskov, nesta terça-feira — na véspera, afirmou que as alegações do Ocidente eram “histeria” e que eram “cheias de mentiras”.
Embora o Kremlin negue ter planos para uma nova invasão — a primeira foi em 2014, na anexação da Crimeia —, os EUA e governos europeus já preparam seus planos de contingência.
Um deles, o mais imediato, é a intensificação da ajuda militar à Ucrânia — nesta terça, um avião pousou em Kiev com equipamentos e munições, como parte de um pacote de apoio dos EUA estimado em US$ 200 milhões. No ano passado, a ajuda militar de Washington a Kiev totalizou US$ 650 milhões. Outras nações, como o Reino Unido, também fizeram seus envios, incluindo armamento antitanque.
Contudo, a Otan deixou claro que não vai se intrometer diretamente em um eventual conflito, o que foi reiterado pelo presidente americano, Joe Biden, nesta terça.
Com isso, restam a diplomacia, hoje em curso, mas ainda sem resultados práticos , e as sanções econômicas contra o governo e a economia da Rússia, mas o tema passa longe de ser unanimidade na Otan. A Alemanha, por exemplo, teme que a Rússia suspenda o fornecimento de gás para a Europa — um terço do gás consumido pelo continente vem dos campos russos, e empresas do setor de energia afirmam que será difícil compensar um eventual fechamento dos gasodutos por conta da alta demanda internacional do produto.
Neste cenário, Estados Unidos e Reino Unido vêm conversando com países produtores para encontrar meios de ampliar a produção, mesmo que temporariamente
— Estamos trabalhando para identificar volumes adicionais de gás não russo de várias áreas do mundo, do Norte da África, Oriente Médio, Ásia e EUA — disse à Reuters um integrante do governo americano, em condição de anonimato.
Pelo lado russo, o mercado financeiro vem registrando sequências de quedas e o rublo se encontra em um dos patamares mais baixos em anos. Na segunda-feira, a cotação da moeda chegou a 79,50 por dólar, menor valor desde 3 de novembro de 2020, obrigando o Banco Central a suspender compras de moeda estrangeira. Também na segunda-feira, o principal índice da Bolsa de Moscou chegou a registrar queda de 10%, ampliando as perdas registradas desde o agravamento da crise, em outubro.
O Globo

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